segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Laurimar Leal



Ainda da viagem à Santarém, cansada e suada do calor amazônico, apresento Laurimar Leal ou Ramirual Lael, já que, segundo ele, seu nome é em aramaico invertido. Lael é Deus. Laurimar é forte, poderoso. Descendente de judeus, com bisavô rabino, e de escrava angolana, Laurimar é um homem surpreendente. Aos 71 anos, cego em consequência do glaucoma, ele mantém a memória impecável. Estudou em um seminário franciscano na Paraíba, mas desistiu pois sua paixão pela arte não era compreendida. Preferiu se dedicar ao canto e às artes plásticas. Há muitas esculturas de sua autoria espalhadas por Santarém. Laurimar padeceu e padece ainda das dificuldades financeiras comuns aos artistas. Então, em certa ocasião, ele reuniu todas as telas que tinha produzido e foi vender na praça Barão de Santarém. Um grupo de franceses em passeio fluvial pela Amazônia adquiriu todas as suas obras e poucos meses depois ele recebeu um convite de uma instituição chamada Sol 3, convite assinado por Mandela e Lady Diana, para ir à França. E assim ele foi parar na Europa com apenas 75 dólares. Viajou bastante por lá, produziu algumas telas baseadas em lendas amazônicas, classificadas como surrealismo amazônico, e estudou restauração de obras de arte. Como homem de cultura, foi secretário de cultura de Santarém e o encontrei no Centro Cultural João Fona, onde conta suas histórias. Ele tem o Centro Cultural como um filho e anda bastante preocupado com as obras em andamento, pois receia que ao invés de restauração façam um remodelamento no edifício construído entre 1853 e 1868 e onde já funcionou a Câmara Municipal, Fórum de Justiça, Cadeia Pública, Intendência Municipal e Prefeitura Municipal. Laurimar é um homem que preza e luta pela preservação da arte e cultura não só tapajônicas, que vive em um mundo fantástico, onde o espírito domina. Ele foi o personagem de um documentário denominado Laurimar e suas Lendas, que merece ser visto. O documentário está disponível no Youtube dividido em 10 partes. Para acessar a primeira parte clique aqui. Vejam, também, a matéria feita pela Record News Santarém



quinta-feira, 14 de novembro de 2013

D. Dica Frazão




D. Dica Frazão é uma artesã que trabalha com matérias-primas naturais e confecciona peças belíssimas. Aos 93 anos, foi ela quem me ciceroneou no pequeno museu que mantém em sua casa em Santarém, no Pará. Quando cheguei, mesmo enxergando apenas com uma vista, encontrei-a costurando florezinhas de sementes de melão. E ela começou a contar suas histórias. Órfã muito cedo, criou os 7 irmãos trabalhando na roça e costurando. Ao casar foi viver em Santarém, considerando-se santarena ou mocoronga (outro gentílico para os de Santarém). D. Dica tem um dom especial de imaginar e elaborar modelos de roupas e acessórios utilizando fibras vegetais ou penas de animais domésticos. Ela trabalha com patchouli, buriti, malva e a casca de uma árvore especial que desconhece o nome, pois os índios mundurucus jamais o revelaram. Muito conversadeira e lúcida, mostra seu trabalho e explica que tem peças no Vaticano, na casa real da Bélgica e até em Brasília. Segundo ela, quando a Presidente Dilma foi eleita mandou um vestido por uma portadora, mas nunca recebeu um agradecimento, o que credita à portadora não ter entregue o presente ou de tê-lo dado em seu próprio nome e não no da artesã. Ela gostaria muito de conhecer a Presidente e que esse recado chegasse ao Palácio do Planalto. Vive de uma pensão e das vendas de suas peças. Hoje se locomove em uma cadeira de rodas, pois quebrou o fêmur, foi operada em Belém e ainda não se recuperou. Ficou viúva muito cedo, mas casou-se uma segunda vez, 42 anos atrás, com um homem 22 anos mais novo. Mulher batalhadora, talentosa e decidida, D. Dica sempre esteve à frente de seu tempo, apesar da pouca instrução. Infelizmente, ainda não conseguiu formar uma pessoa para dar continuidade ao seu trabalho. Alguém se habilita? Vejam abaixo algumas fotos e o link para uma matéria da Record News Santarém, quando poderão ver o quão lúcida e especial é essa mulher.




quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A Casa da Árvore



Era uma vez um lugar muito divertido. Lá a vida era lúdica como em nenhum outro. Era a Casa da Árvore. Trabalhava-se muito por lá, pois a função da Casa era dar sentido a construções linguísticas quase sempre elaboradas às pressas pelos moradores da sede. As que lá viviam tinham as palavras como matéria prima e, para tanto, consultavam e consultavam gramáticas e dicionários.

Um dia, uma maluquinha que vivia na vizinhança avisou às amigas da Casa da Árvore que iria para longe. Ela sentia a alegria esvair-se e não queria viver triste, sem criatividade e magia a envolvê-la. E aí as generosas e acolhedoras habitantes da Casa da Árvore a convidaram:

- Venha para cá!

E a maluquinha, entre atordoada e feliz, recebeu aquele convite imperativo e resolveu aceitá-lo. Desde então, muito desajeitada no pequeno galhinho que a sustenta, tem insistido em relembrar e estudar as lições de outrora, quando as concordâncias verbal e nominal eram puro exercício teórico. Para tanto, tem buscado, também nas papelarias, as ferramentas necessárias: são canetinhas, borrachas, marcadores, clipes e cadernos coloridos, além de pastas transparentes para organizar as lições aprendidas no dia a dia.

A maluquinha está feliz, a trabalhar perdida entre vírgulas, crases e azimutes e a receber amigos que gostam de folhas de bananeira, sob os olhares complacentes e compreensivos das amigas da Casa da Árvore. Obrigada, Meninas queridas!




terça-feira, 6 de setembro de 2011

Tabaco


Comecei a fumar muito cedo. Meu pai e meu irmão eram fumantes e naquela época o fumo não só era aceito socialmente, como era “glamourizado”. As companhias aéreas (pasmem!) distribuíam pequenas cigarreiras com quatro ou cinco cigarros. Foram estes os meus primeiros “amigos”. E eles me acompanharam por muitos e muitos anos. Éramos inseparáveis: eu e o tabaco.

Na década de oitenta ensaiei as primeiras traições ao “amigo”. Parei diversas vezes por curtos períodos, sendo que em uma das vezes fiquei um ano sem pitar.

Mas, como nos separamos de alguém que nos acompanha nos momentos felizes ou tristes, nas horas de trabalho ou lazer, em casa ou nas viagens? Não pensem que foi um erro chamar o cigarro de alguém, porque a companhia faz dele quase um confidente, um amigo, um amante. Ele se transfigura, tornando muito difícil nos afastarmos dele.

Aí, em 1999, veio o grande choque. Meu irmão recebeu o diagnóstico terrível: câncer na boca. Foi impressionante como consegui me libertar daquele suposto “amigo” imediatamente. O traiçoeiro!

Mas a vida segue, as experiências e fatos vão se sobrepondo e eu novamente caí em tentação. Foi à beira mar que comprei meu primeiro cigarro, depois de seis anos sem fumar, e acabei novamente imersa no vício.

Agora estou novamente sem fumar há 1 ano e 4 meses. Ok, eu confesso, dei uma escorregada lá em Floripa. Novamente à beira mar!

Longe de mim querer reprimir, mas como o Mansardas funciona como uma forma de pensar auto e alto, quero dizer que o melhor é não se associar ao tabaco. Mais uma vez, ele é traiçoeiro. No início te deixa enjoado, você abomina o cheiro que deixa no seu corpo, roupas, ambiente. Mas, depois, a química fala mais alto e te domina. E é um contrassenso, porque em geral começamos o vício na adolescência, fase onde mais reivindicamos liberdade e autonomia. Não aprendam. Se não for pela saúde, que seja porque, se antigamente havia charme no hábito de fumar, hoje é muito “working class”. Reparem!

domingo, 21 de agosto de 2011

100 Anos de Machu Picchu




Há exatamente 100 anos, Hiram Bingham descobria o sítio arqueológico de Machu Picchu. Até hoje não se sabe exatamente o papel de Machu Picchu no mundo Inca, mas o fato é que aquele lugar, mesmo que o sítio não existisse, é mágico. Aquelas montanhas e vales são fantásticos, não só no sentido da beleza, mas do inexplicável.

Lá se vão 5 anos (2006). Mas a visão daquele lugar não sai da minha retina nem da minha memória. Depois de dormir em Águas Calientes, tive a felicidade de subir para Machu Picchu ainda de madrugada, entrando no parque às primeiras horas da manhã. A cidade estava vazia e foi algo inesquecível passear por aqueles caminhos e subir aquelas escadas sem o barulho do formigueiro humano que se avizinha mais tarde, já que os que viajam de Cusco só chegam lá pelas 10 ou 11 horas.

Pode-se dizer que há algo de sobrenatural por ali, que o espaço convida à reflexão sobre a humanidade ou sobre nossas próprias vidinhas. Ninguém visita Machu Picchu impunemente. Nossas consciências, pessoal e do mundo, são mobilizadas de tal forma pela energia do lugar que não se sabe como nem porque, mas saímos de lá diferentes.

Ao voltar para Cusco, um ou dois dias depois, tive uma crise de choro até hoje inexplicável. Pensando bem, acho que foram os ares de Machu Picchu que provocaram aquele Urubamba de lágrimas. As emoções estavam à flor da pele e tinha que dar vazão da maneira mais coerente com meu temperamento: chorando.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Sobrevoo ....


Ando muito mobilizada pela minha saúde, mas tento acompanhar o que acontece no mundo, como sempre fiz. Enquanto os médicos me observam, tento observar o resto. As notícias de maneira geral andam ruins. E entre jornais, revistas, internet e a biografia do Lobão, fico sobrevoando .....

Aqui no Brasil, quase um mês atrás, morreu Itamar Franco. O cara era tinhoso, marrento, mas tudo indica que honesto. O que parecia um grande erro, ser vice do Collor, acabou “salvando” o País, já que assumiu a Presidência e não cedeu aos que pretendiam até fechar o Congresso no meio de toda aquela crise. Afinal, os tempos eram difíceis, além de PC Farias havia o escândalo dos anões do orçamento. Fico imaginando aquele topete, voando por aí a bordo de um fusquinha. Isso sim se chama cabelo nas ventas! Pena que não sei desenhar!

Enquanto isto, nos Estados Unidos, Obama discute com os republicanos um aumento no cheque especial dos Estados Unidos. Só que, de olho nas eleições do ano que vem, a oposição faz jogo duríssimo. Dois de agosto é o dia D.

E lá se foi Amy Winehouse. Morte anunciada é verdade, mas sempre chocante. Mentes torturadas, presentes em todas as artes, mexem com o meu imaginário. Me fazem pensar que a inteligência artística é incompatível com a inteligência emocional. Testar limites para criar, para produzir arte. É justo que nós, os “funcionários públicos” da vida, usufruamos das obras produzidas por estes talentos?

E por falar em limites, esta semana houve o último voo de um ônibus espacial americano. Com a volta do Atlantis encerra-se um ciclo. E, embora a ciência não tenha como base a aventura, muitos pagaram com a própria vida. Pois é, nas ciências também existem os visionários e os sonhadores. O curioso é que agora, sem os ônibus espaciais, os americanos vão precisar da carona dos russos para ir até a estação espacial internacional. Quem diria, hein!!!!!!!!!

E eis que, enquanto isto, uma mente perturbada choca um reino distante, para nós dos trópicos, quase um reino encantado. Um outro tipo de atormentado acaba com a “inocência” do conto de fadas. Com alto índice de desenvolvimento humano e pouquíssima violência a Noruega entrou em estado de choque. E acordou do sonho.

Enfim, sobrevoando ...

terça-feira, 28 de junho de 2011

Amigas do coração


Ana Lígia, Andréa, Calíope, Carmita, Cida, Clarice, Cris Baeta, Cris Jardim, Cristina, Debrinha, Denize, Dirna, Eliana, Fernanda, Heluísa, Ivana, Janice, Kátia, Lala, Leleta, Lili, Lilian, Lúcia, Matié, Mônica, Nádia, Neide, Patrícia, Renata, Rosa, Sandra, Sarah, Silvana, Tânia, Tereza, Valentina, Waléria, Wilma.... Não, não é uma mera lista de nomes femininos, mas uma lista de amigas do coração.

Em 9 de abril de 2010, ao fazer um ecocardiograma, recebi o diagnóstico de pericardite com derrame pericárdico moderado. Fui encaminhada direto para a emergência cardiológica e depois para a internação. Naquele momento, as amigas do coração entraram em ação. Kátia e Lili foram incansáveis durante os 21 dias de internação, uma cirurgia para drenagem e biópsia, com pós-operatório em UTI, mais 12 dias de internação e incontáveis exames e consultas.

Minha Mãe tinha então 84 anos e não temos família próxima. Eu me preocupava muito com ela. E aí, novamente, minhas amigas do coração começaram a agir.
Para cuidar da Mãe imediatamente surgiram Lili, amiga desde sempre, Silvana, sobrinha querida, Eliana e Heluísa, primas, e Cristina, mulher do Divino, chefe dos porteiros do meu edifício há mais de 30 anos. E assim pude ficar no hospital sabendo que ela estava protegida.

Com minha Mãe bem, as amigas do coração começaram a buscar companhia e conforto para mim. E aí Katinha, de novo, foi mais do que especial. Ela organizou uma lista de voluntárias para me acompanhar e dormir comigo no hospital. Digo voluntárias, no feminino, porque os amigos podiam me visitar e amparar, mas segundo ela dormir não! Chegou a ser ameaçada de discriminação (caro Wellington, não era isto!)!

Revistas, livros, orações, medalhinhas, umas comidinhas escondidas e até uma linda boneca de pano (presente da Ana Lígia), que Silvana batizou de Valentina, me acompanharam durante a internação. E me emociono em pensar o quanto sou feliz por ter pessoas assim perto de mim. Obrigada a todas e, como escrevo mais de um ano depois, me perdoem se não lembrei de algum nome. Alguns anos atrás, eu, Kátia e Nádia brincávamos no trabalho que éramos as meninas superpoderosas. Mas superpoderosas são todas estas minhas amigas, mais do que nunca do coração.

sábado, 25 de junho de 2011

Mulher salgado


Há mais de um ano não passo por aqui. Pelo último post, aí embaixo, pode parecer que foi falta de inspiração, mas não foi. Estive doente. Pois é, fui internada duas vezes e parte do tratamento consistiu em grandes doses de corticóide. Depois de um tempo, me olhava no espelho e não conseguia me reconhecer de tão inchada e gorda. Já melhorei um pouco, embora ainda esteja muito acima do meu padrão. Mas resolvi tocar a vida com bom humor e me autodenominar a “Mulher Salgado”: com cinturinha de quibe e braços e pernas de coxinha. Paciência! As fotos são de janeiro e de fevereiro (Guarda do Embaú).



sexta-feira, 12 de março de 2010

Páginas em branco


Como preencher páginas em branco? Já li em algum lugar que não há nada mais difícil para um pintor do que uma tela em branco ou uma página vazia para um escritor. Meu ofício não é escrever, embora tenha inventado este blog, mas fico pensando que danado de difícil deve ser viver de criar, seja com as palavras ou com as tintas. Como imprimir cores ao que às vezes nem é tão colorido? Ou, como mostrar os meios-tons do preto e branco? Ou ainda, como retratar as cores que tomam de assalto nossa razão ou nossa emoção? Ganhei dois moleskines, aquele caderno chique, com ar retrô e folhas em creme suave, que segundo se diz era companheiro inseparável de Hemingway, Picasso e outros. Um é pautado com capa vermelha e outro é sem pauta com capa preta. Resolvi usar o segundo no trabalho, onde é mais fácil ou menos comprometedor preencher os espaços. O primeiro separei para o blog. Aqueles risquinhos me fazem não me sentir tão desamparada, tão só. E ele é vermelho. Tem cor mesmo que seja na capa. Tenho feito algumas anotações que podem ser objeto de algum relato ou reflexão. São ideias, vontades e até inspirações, mas sempre me perco em se e como desenvolver. Sinto-me compelida a retratar de uma ou de outra forma, enfatizando um aspecto ou outro, e acabo me perdendo no novelo no qual me enredo tentando ser explicadinha como sempre sou! Neste labirinto sinto-me puxada para todos os lados e acabo sucumbindo à impotência que me atinge. Sem saber de que forma me expressar, as páginas agora brancas do computador, onde tento dar forma à matéria bruta registrada no moleskine, permanecem vazias. Ainda bem que a crítica maior vem de mim mesma, que não tenho uma reputação artística a zelar. Consolo-me pensando que se fosse fácil criar teríamos muito mais obras de arte. E, assim, continuo anotando em meu moleskine...


sexta-feira, 5 de março de 2010

Evolução....

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Bogotá e savanas


De volta ao urbano frenético. São 8 milhões de habitantes. Estive em Bogotá há mais de quinze anos e agora encontrei a cidade com menos soldados armados e curti mais o Museu do Ouro, que continua estupendo, o centro histórico, Montserrat e as savanas, além de conhecer o Museu Botero, inaugurado em 2000. Fruto de uma doação do artista, lá estão reunidos desenhos, pinturas e esculturas de sua própria autoria, assim como as colecionadas por ele. Pode-se ver Renoir, Dalí, Chagall, Giacometti, Picasso, Miró, Bacon, Max Ernest, Calder e outros. Imperdível!

Outro lugar fantástico - em qualquer sentido que se dê, é a Plaza Bolívar. Ali, velando todos, Simon Bolívar, o libertador da América espanhola. Aquela praça é impressionante! E como eles cultivam sua história, contada em diversos painéis dispostos cronologicamente na alcadía, a prefeitura. Como bons latinos claro que são passionais. Uma das frases inscritas na praça: “Colombianos: as armas lhes deram independência, as leis lhes darão liberdade”.

A fachada do Congresso tomada por formigas, obra de Rafael Gomez Barrios, me pareceu num primeiro momento remeter ao romance Cem Anos de solidão, obra de Gabo (já estou íntima), em que a dinastia dos Buendia e Macondo, a cidade onde a fantástica estória é ambientada, se acabam com as formigas. Mas, nada disto, além de um protesto pela preservação dos monumentos históricos, é uma homenagem aos milhares de colombianos “desplazados”, obrigados a deixar suas regiões e suas casas pela violência do conflito interno do País. É uma denúncia dos dramas humanos. Linda a instalação!

O passeio às savanas de Bogotá foi especial. Primeiro fomos à Guatavita, a lagoa onde os índios adoravam Chie, a deusa da água, onde os Muíscas faziam suas cerimônias e muitas das obras expostas no Museu do Ouro foram recuperadas. A história dá conta de que a mulher do cacique o traiu e fugiu com seu filho, submergindo na lagoa. O cacique perdoou sua esposa e iniciou um ritual onde se jogavam ouro e esmeraldas e se faziam orações com o propósito de pedir à mulher prosperidade para seu povo. A imagem da mulher infiel do cacique é impressionante.

Na mesma região visitamos a Catedral de Sal de Zipaquirá, inaugurada em 1995. Esta é a segunda, já que a primeira foi interditada por motivo de segurança. Ao chegar ao espaço externo, Plaza del Minero, há uma escultura gigantesca. Nossa! Que mineiro! De
Araujo Santoyo, a escultura em homenagem a estes trabalhadores tão sacrificados é belíssima. A catedral é considerada a 1ª Maravilha da Colômbia e é devotada à Nossa Senhora do Rosario de Guasá, a padroeira do mineiros colombianos. Simbólica em demasia, ela acaba não agradando aos que buscam essencialmente religiosidade, mas o inusitado da localização, a engenharia, o projeto de iluminação, que amplifica a percepção dos ambientes, e as obras de arte fazem do lugar um espaço único. Alguns ambientes e obras de arte são inesquecíveis. Vejam a Pietá de Miguel Sopó, com os personagens bíblicos retratados com feições indígenas, o presépio em tamanho natural de Ludovico Consorte, “A Criação do Homem”, inspirada em Michelângelo, esculpida e assentada no piso da nave central, e a indescritível cúpula azul, onde se tem a sensação de se estar em outra dimensão. Ah, a acústica é fantástica! Os confessionários sequer podem ser usados, a não ser que se queira compartilhar os pecados com todos na Catedral!

Sem dúvida a Colômbia é um país com paisagens e história lindas. Cada vez gosto mais de conhecer a América Latina. Pena que nós brasileiros sejamos tão desinformados sobre nossos vizinhos!














San Andrés


Depois de Cartagena vieram as cores do Caribe, as sete cores do mar caribenho. Tons de verde e azul indescritíveis. É lindo olhar aquelas águas e delicioso mergulhar naquele mar que nos aquece e renova! E lá nos sentimos também mais próximas do reggae do que da rumba. Pois é, San Andrés pertence à Colômbia, fica mais próxima de Honduras e da Nicarágua, mas o ar é definitivamente jamaicano.

E por que pertence à Colômbia? Bem, San Andrés foi terra de piratas e dominada por diversos invasores (franceses, holandeses, ingleses), mas no início do século XIX foi doada pela coroa espanhola à Nueva Granada, o antigo nome da Colômbia. As casas tradicionais são de madeira e tem mobiliário semelhante ao nosso, como, por exemplo, cadeiras de palhinha.

Assim como Noronha no Brasil, existe sério problema de abastecimento de água, já que lá não há nascentes. Usa-se a água da chuva e dessalinizadores. Os forasteiros podem ficar por lá no máximo 3 meses, já que paraíso, Reserva Mundial da Biosfera, não combina com aumento populacional desenfreado. San Andrés tem a terceira maior barreira de corais do mundo, só perdendo para a da Austrália e a de Belize. Ainda conhecerei as duas.

Quando se fala em San Andrés pensa-se na ilha, mas na verdade é um arquipélago. Um passeio, que infelizmente não pude fazer, é às ilhas da Providência e Catalina. Não deixe de visitar o Acuário (lá vi um filhote de tubarão) e Johnny Kay, uma ilhota linda, onde você dá a volta em 15 minutos, pois ela só tem 1,5 km de circunferência. Haynes Cay fica ao lado do Acuário e é mais exclusiva. Se tiver tempo vá até lá.

Outro programa delicioso pode ser feito em toda a ilha com um carrinho de golfe. É barato e superdivertido. Com partida elétrica, acelerador, freio e uma chave “frente/ré” você faz todo o contorno da ilha parando onde quiser. O nosso chamava-se “Naranja Mecanica”. Quem diria que Stanley Kubrick acabaria no Caribe! Bom, tentamos o de cor laranja, mas estava sem combustível, então passeamos no azul. Vejam o possante nas fotos ao final!

Não deixe de comer no La Regatta e no El Recanto de La Langusta, onde está o bar Orgasmo Marino. Maravilhosos! A lagosta e o mar. Um verdadeiro orgasmo marinho, como o nome do bar!

Se gosta de compras, então não deixe de andar pelo centro. San Andrés é porto livre desde 1953. Mas, prepare-se, você vai se sentir em Foz do Iguaçu! Os sírios e libaneses controlam mais de 90% dos estabelecimentos comerciais. E cuidado, assim como eu, você pode acabar comprando o que não precisa e pagando mais caro.

E eu só precisava de uns azulejos com as cores daquele mar!!!!!!!!!!!













sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Cartagena



Ando com um pouco de preguiça de escrever. Então, me perdoem se não detalhar tantas informações como em outras ocasiões.

O Centro Histórico de Cartagena é uma jóia caribenha! Como gostei de caminhar por aquelas vielas coloridas, preenchidas por história, arte, gente de todos os cantos e balcões com flores, muitas flores! Acho que Gabriel Garcia Marques, Gabo, como os colombianos o chamam, deve parte de sua inspiração àquele clima.

Fundada em 1533, Cartagena tem hoje quase 1 milhão de habitantes. É um dos grandes, senão o maior ponto turístico da Colômbia. Lá se pode visitar o Forte San Felipe - o maior das Américas, e, na “Ciudad historica”, museus (histórico, da inquisição, do ouro Zenú, das esmeraldas, etc), igrejas, lojas de artesanato e restaurantes maravilhosos. Dispersas pelo mesmo Centro podemos ver muitas esculturas de Edgardo Carmona, chamadas popularmente de “Las Chatarras” (ferro-velho). Temos também Gertrudis, a voluptuosa mulher de Botero, presença marcante na Plaza de San Domingo. A propósito, diz a crença popular que se deve tocar os seios de Gertrudis para se ter “largos amores”. Quando descobrimos isto, voltamos à Plaza para bolinar os seios da senhora. Afinal, sabedoria popular não se despreza jamais.

As “baianas” de Cartagenas (chamadas palenqueras) se vestem com roupas coloridas e vendem frutas tropicais carregadas em bacias na cabeça. Bom, acho que hoje em dia elas ganham mais dinheiro com as gorjetas dos turistas do que com a venda das frutas, mas é bonito vê-las andando pelas ruas.

Se você é animado, gosta de bagunça e tem bom-humor vá ao passeio de chiva. É uma espécie de jardineira (bancos em carroceria de caminhão) onde rola rumba, Pepsi, rum e um animador que convoca todos a rebolar em cima dos bancos. Apesar da fama das brasileiras, eu e minha amiga Kátia preferimos ficar incógnitas e acabamos desertando do passeio. Claro que depois de muitas risadas com a animação, principalmente, de argentinos e chilenos (acreditem!).

O mar de Cartagena nos decepcionou um pouco, já que esperávamos as cores do Caribe. Nem fomos à praia, exceto no passeio à Isla del Rosario, onde as cores do Caribe já estão presentes. Mas isto não diminuiu nosso encantamento com a cidade.

Só não escrevo mais, porque continuo com preguiça. Vejam algumas fotos feitas por mim ou por Kátia.






















sábado, 6 de fevereiro de 2010

Colômbia – história e mar


Cartagena, San Andrés e Bogotá são meus próximos destinos. Muita história e praia. Sigo domingo, 07/02, e, na expectativa, tenho visto imagens belíssimas. Mas deixo o suspense. Só ilustrarei o blog com minhas próprias fotos. Aguardem.

Cartagena – fundada em 1533 tem um centro histórico cercado de muralha com 8 km. Quero andar muito por aquelas ruelas com casas coloridas e balcões floridos.

San Andrés – ilha mais próxima da Nicarágua, mas que pertence à Colômbia. Mar com todas aquelas cores caribenhas.

Bogotá – rever o belíssimo Museu do Ouro e conhecer a Catedral de Sal.

Até a volta!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Imagine

Quando do assassinato de John Lennon, em dezembro de 1980, a revista Veja publicou traduções feitas por Millôr e Drummond para três poemas de Lennon. Uma palavra aqui outra ali fazem estas traduções mais ricas do que as feitas por pobres mortais como nós. Guardei a revista durante anos e ao procurá-la agora fiquei tristíssima. Abri armários, gavetas e baús e não consegui encontrá-la. Já dava as traduções como perdidas, até que me ocorreu checar o site da revista. Pois bem, elas estão lá, disponíveis no acervo digital. Agora felicíssima, coloco abaixo a versão de Millôr para Imagine. Vejam, também, o vídeo.

Imagine

Imagine que não há céu
É fácil, basta tentar
Nenhum inferno embaixo de nós
E, em cima, só firmamento
Imagine todo mundo
Vivendo pro dia de hoje.

Imagine não haver países
Não é difícil imaginar
Nada por que matar ou morrer
Nem religião também
Imagine todo mundo
Vivendo sua vida em paz.

Imagine não haver posses
Duvido que você possa
Sem lugar para a gula ou a fome, uma fraternidade do homem
Imagine todo mundo partilhando todo mundo
Você pode dizer que estou sonhando
Mas não sou o único não
Espero que um dia você se junte a nós
E o mundo será uma coisa só.



quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Haiti

Há pouco estávamos todos consternados com as tragédias que se abateram sobre o Brasil em consequência das chuvas. Certo é que não há como valorar ou comparar o infortúnio das famílias que choram suas perdas humanas e materiais. Mas, diante do terremoto no Haiti, nossa dor parece menor. Aqui haviam hospitais, escolas, igrejas, galpões para receber os feridos, desabrigados ou desalojados. Lá a população vaga sem rumo, completamente desamparada naquele cenário de horror. Aos problemas políticos, econômicos e sociais se somam as catástrofes naturais. E o Haiti, que se pensava virando devagar as páginas de uma história marcada por dificuldades, mergulha no mais sombrio dos futuros: aquele sem perspectivas. Espera-se que a comunidade internacional tenha sensibilidade para ajudar aquele povo tão sofrido.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Óculos do Drummond



E os óculos do Drummond foram roubados mais uma vez. É a sexta vez. O vândalo certamente é míope. Miopia cultural, artística e não aquela que se corrige com lentes. Agora nosso amigo, pobre Drummond, tão discreto em vida, será vigiado dia e noite.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Viajando

Estive viajando, por isso estava sumida. Andei curtindo minha mineirice e, também, tomando um banho de mar. Afinal, ninguém é de ferro! Nas Geraes encontrei a família e passei o Natal na casa de Tia Leontina, uma mulher especial e muito acolhedora. Minas Gerais seria perfeito se ali houvesse mar, mas como não tem, viajei 380 quilômetros até o estado vizinho, onde também tenho raízes familiares, mas que desta vez fui incógnita, sem procurar a família. Muito a contragosto, então, passei uns dias em Búzios.



João Fernandes da sacada do hotel


A península de Búzios é um sonho para qualquer um que goste de mar, seja para mergulhar ou simplesmente para olhar aquelas águas esverdeadas transparentes. Há praias para todos os gostos. O lado norte é abrigado e manso. Já o lado sul é adequado aos que gostam de pegar onda. A geografia é recortada, com belíssimas enseadas pontilhadas por barquinhos de pesca coloridos ou transatlânticos brancos poderosos. O relevo montanhoso e a mata completam o visual magnífico. Grande parte da estrutura viária da península é calçada em pedras, o que dá um charme especial. Há, também, bons restaurantes, bares e lojas. Enfim, embora a água seja fria, eu classifico como um paraíso. E olha que adoro água quente, acho que se me colocassem num caldeirão fervente eu pediria um sabonete!

Claro que, como em todo local turístico, existem as arapucas. Fujam do passeio de escuna. Se quiserem ter uma ideia do que é imaginem uma embarcação com cem pessoas – isto mesmo que vocês leram, CEM com C, e música, comida e bebidas de qualidade duvidosas. Nos pontos de mergulho, se havia algum peixe ou tartaruga devem ter fugido. Segundo meu querido Geovanni a visão dos “mergulhadores” lembrava um fosso de jacarés! Aceitem um conselho, façam o passeio de catamarã ou de barco-taxi, o simpático e agradável meio de transporte entre as praias do lado norte.

As minhas praias preferidas? As pequeninas: Ferradurinha, Azedinha, João Fernandinho e José Gonçalves. Não necessariamente nesta ordem. Queria ter ido à Olho de Boi, mas os recatados Geovanni e Silvana ficaram constrangidos de ir até lá, já que é uma praia de naturismo. Bobagem, ninguém te olha. Mas ficou para a próxima. Com certeza voltarei!



Azedinha

João Fernandinho

José Gonçalves

José Gonçalves

João Fernandes

Pôr-do-sol em João Fernandes

Ferradurinha

Pedras na Ferradurinha